No Brasil de 1594, um aventureiro francês fica prisioneiro dos Tupinambás. Enquanto aguarda para ser executado, o estrangeiro aprende os hábitos dos índios e se une a uma selvagem, que tenta ajudá-lo a fugir.
Direção: Nelson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos, Humberto Mauro
Produção: Nelson Pereira dos Santos, Luiz Carlos Barreto, César Thedim, K.M. Eckstein
O filme fica pronto no auge da ditadura militar, durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), impedido de estrear. A censura federal o considera “contrário (...) aos princípios morais e de pudor do povo brasileiro”. O problema é o “excesso de nus masculinos”, já que os atores do elenco, caracterizados de índios, aparecem sem roupa. Depois de reuniões com o produtor Luiz Carlos Barreto (1928) e com o cineasta, que concorda em realizar alguns cortes, a censura libera o filme, que estreia em fevereiro de 1972. Como Era Gostoso o Meu Francês é exibido em festivais como o de Cannes, na Semana dos Realizadores, e o de Berlim, na mostra competitiva. O filme recebe críticas elogiosas, em geral comparando-o com Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), pelo tratamento alegórico da temática antropofágica. Em sua estreia brasileira, o crítico Orlando Fassoni (1942-2010), do jornal Folha de S. Paulo, aponta-o como “o melhor filme nacional dos últimos dois anos, entre os já exibidos. É também (...) aquele que, entre todos os chamados ‘históricos’, mais consegue, em termos de rigor e sinceridade, visualizar o passado que colocou conquistadores e conquistados, colonizadores e colonizados, num clima de relações antropofágicas”
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