Um viúvo que pauta sua vida por rígidos códigos familiares e religiosos, não suporta mais o vazio existencial de seu núcleo familiar após a morte da esposa. Totalmente imerso em sua profunda depressão, continua decidido a manter-se fiel à mulher falecida. As tias (beatas solteironas), temendo que ele cometa suicídio, suplicam ao outro sobrinho, seu irmão (típica figura do malandro carioca), que procure alguém para preencher o vazio existencial do viúvo. Este (que não pode perder seu sustento com um suposto suicídio do irmão viúvo), agindo em próprio beneficio; decide apresenta-lo à uma mulher irresistível, Geni. O surgimento de Geni irá desencadear uma série de acontecimentos inesperados, atingindo fortemente seu o filho, que vive da memória da mãe morta e não aceita que o pai tenha outras mulheres. Além de faze-lo romper, mesmo com dilaceramentos internos, com a memória angustiada do passado.
Data de lançamento: 8 de março de 1973 (Rio de Janeiro)
Direção: Arnaldo Jabor
Música composta por: Astor Piazzolla
Roteiro: Arnaldo Jabor
Autor: Nelson Rodrigues
Toda Nudez Será Castigada gerou uma situação insólita na época de seu lançamento. Tendo sido um grande sucesso na época e representante oficial do Brasil no Festival de Berlim, neste meio tempo (no auge da ditadura) o general Antônio Bandeira, chefe do serviço de censura, viu o filme no cinema e o achou imoral, ordenando sua proibição. Assim o Brasil era representado por um filme que era proibido no país e, possivelmente, só foi novamente liberado (com cortes) em virtude de ter sido premiado no exterior.
Toda Nudez Será Castigada
da Equipe de Articulistas "Toda Nudez Será Castigada" é um raro exemplo brasileiro de unanimidade de crítica e público. Em sua época, o filme foi tirado de cartaz pela censura -que não engoliu seu final transgressivo-, mas voltou aos cinemas depois de conquistar o Urso de Prata no Festival de Berlim. A história -extraída da peça teatral homônima de Nelson Rodrigues- diz respeito a Herculano (Paulo Porto), viúvo carola e reprimido que se apaixona pela prostituta Geni (interpretada pela atriz Darlene Glória). Tudo se complica quando o jovem filho de Herculano, Serginho (Paulo Sacks), que é ainda mais moralista que o pai, também se envolve com Geni. O filme salta para um plano quase fantástico quando Serginho vai parar na cadeia e lá é currado pelo "ladrão boliviano", um dos personagens mais memoráveis do universo rodrigueano, embora apareça pouco e não fale nada. Nunca o cinema conseguiu traduzir com tanta felicidade os paradoxos que animavam a dramaturgia rodrigueana: a degradação e a santidade, a castidade e a pornografia, o grotesco e o sublime, o trágico e o cômico. Tudo isso está condensado na interpretação luminosa de Darlene Glória, sob a música dilacerante de Astor Piazzola. François Truffaut dizia que "o papel do diretor de cinema é mostrar mulheres bonitas fazendo coisas bonitas". Jabor fez diferente: mostrou mulheres bonitas (Darlene Glória, Adriana Prieto, Sônia Braga, Vera Fischer, Fernanda Torres) fazendo coisas terríveis. Foi assim que criou um cinema forte e inconfundível. (JGC)
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq09119818.htm